Pré-Op

Informações Pré-Operatórias


a) O que é obesidade?

Obesidade é simplesmente definida como excesso de peso. Na antiguidade (e até mesmo no tempo de nossos avós) era sinônimo de saúde mas nos dias atuais, após a constatação de que acima de certos limites os seus portadores estão mais sujeitos a inúmeras doenças, ela passou a ser considerada uma doença. Uma epidemia, aliás, visto que a cada dia a sua incidência aumenta progressivamente.

Sabe-se que à medida em que o peso de uma pessoa aumenta, sobe também a sua mortalidade, o risco de surgimento de diabetes, hipertensão arterial, aumento das taxas de colesterol e triglicerídeos, refluxo gastroesofágico, infertilidade, impotência, problemas ortopédicos, derrames, etc.

Além dos problemas de saúde, há também a diminuição da qualidade de vida uma vez que os obesos enfretam obstáculos mesmo em tarefas cotidianas: maior dificuldade para se abaixar, cruzar as pernas, comprar roupas e sandálias, praticar atividades físicas, manter relações sexuais, encontrar emprego,  sentar-se em poltronas de avião e cadeiras com braços, passar em roletas de ônibus, …

A obesidade também interfere com o status psicológico. Diversos estudos mostram que há entre obesos uma maior prevalência de depressão e transtornos de ansiedade sem mencionar que há uma diminuição da autoestima e amor próprio, dificuldade com relações interpessoais.

O excesso de peso a partir do qual se considera um paciente obeso é calculado de modo “matemático”: divide-se o seu peso pelo quadrado de sua altura (IMC, vide item b abaixo). O status do paciente é dado de acordo com a tabela abaixo:

IMC                         Classificação
<19                         Abaixo do peso

19-25                     Peso normal
25-30                     Sobrepeso
30-35                     Obesidade grau I (leve)
35-40                     Obesidade grau II (moderada)
>40                        Obesidade grau III (severa ou mórbida)

Na tabela acima, as cores não foram usadas aleatoriamente. Foram ficando mais para vermelho à medida em que sua saúde está em maior risco. Hoje, sabe-se que os obesos mórbidos têm em média 10 a 12 anos a menos de expectativa de vida quando comparados à população geral.

b) Posso ser operado? Quem não pode ser operado?

Para saber se pode ser operado o paciente precisa antes calcular o seu Índice de Massa Corporal (IMC). Este é calculado dividindo-se o peso (em Kg) pelo quadrado da altura (em metros). Ou seja:

  • IMC=peso ÷ altura2

Depois de calculado o IMC, se o resultado for acima de 40 (obesidade mórbida) ele pode ser operado. Nos casos em que o IMC ficar acima de 35 mas abaixo de 40 (obesidade grau II), o paciente poderá ser operado apenas se tiver alguma doença causada  ou agravada pela obesidade (também chamada de co-morbidade). Exemplos disso são: hipertensão arterial, diabetes, aumento dos níveis de colesterol ou triglicerídeos, etc.

Nos pacientes com IMC abaixo de 35, não há indicação de tratamento cirúrgico. Nestes casos, o paciente deve buscar o tratamento com endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico, etc.

Na faixa etária entre 18 e 60 anos não há problemas extras relacionados à idade. Contudo, os pacientes que tiverem menos de 18 ou mais de 60 anos precisam ser melhor avaliados quanto a riscos e benefícios da operação, com cuidado especial quanto ao aspecto psicológico nos adolescentes e riscos cardiovasculares nos demais;

Pacientes que tenham câncer não controlado, ou doença grave ou debilitante com elevado risco cirúrgico ou mesmo problemas psiquiátricos mais sérios não devem ser operados;

Para ser candidato à operação, o paciente também precisa ter excluídas as causas endócrinas que levam à obesidade como por exemplo hipotireoidismo ou doenças da glândula adrenal.

c) A primeira consulta

Na primeira consulta, há vários passos importantes a serem seguidos:

  1. Confirmar se o paciente se encontra dentro dos critérios de indicação da operação bariátrica (comentado na item anterior) através da verificação do seu peso e altura e outros dados de sua saúde;
  2. Excluir possíveis causas que impeçam o paciente de ser operado (também na resposta anterior);
  3. Neste momento, é de suma importância que o paciente seja bem esclarecido sobre todos os aspectos da cirurgia, desde como ela é feita, seus resultados de curto e longo prazo, suas possíveis complicações, seus riscos, seus benefícios, a recuperação pós-operatória e até como proceder para operar. É dever do médico usar este momento para tirar dúvidas e passar a maior quantidade de esclarecimentos possível uma vez que a melhor maneira de o paciente se decidir é através de informação. O paciente não deve se operar enquanto não se sentir seguro de que está a par de todas os conhecimentos pertinentes à cirurgia de obesidade mórbida. Não é incomum que esta primeira consulta demore mais que uma hora uma vez que há muita coisa a ser explicada;
  4. Explicar as várias opções de técnica operatória e tentar identificar uma que seja mais adequada ao paciente. Este deverá entender como funciona cada uma delas, suas vantagens e desvantagens para assim poder auxiliar o cirurgião na escolha. Normalmente, o cirurgião aponta uma delas como opção mais indicada mas se o paciente estiver bem informado ele poderá opinar e, talvez, mudar a opção escolhida;
  5. Passar informações relacionadas a como proceder em caso de o paciente estar decidido a ser operado. Isso inclui esclarecimentos a cerca dos exames pré-operatórios, pareceres pré-operatórios e das particularidades de autorização de cirurgia bariátrica do plano de saúde do paciente;
  6. Fazer convite ao paciente para participar de reunião do Grupo de Suporte de pacientes bariátricos (vide mais adiante);

O paciente deve aproveitar este momento para tirar todas as suas dúvidas. Lembre-se de que a informação é a sua maior arma. Também é recomendável nesta primeira consulta que o paciente vá acompanhado de seu cônjuge ou seus pais ou responsável para que haja informações para ele(s) também a fim de ter o apoio familiar tão importante.

d) Entenda cada tipo de operação (técnica cirúrgica)

Há várias opções de técnicas aceitas para cirurgia bariátrica. Entenda-se bem que aceita aqui quer dizer aceitação mundial, pelas entidades médicas incluindo a IFSO (Federação Internacional de Cirurgia de Obesidade), a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), a ASMBS (Associação Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica) e o CFM (Conselho Federal de Medicina). Isto precisa ser dito porque, por uma questão ética, operações experimentais (ou sem experimentação prévia anterior em animais de laboratório) não devem ser feitas em humanas salvo em situações especiais de estudos científicos em que há aprovação por comitês éticos e, apesar disso, no Brasil há cirurgiões realizando operações NÃO ACEITAS (nestes termos). Dito isso, as operações aceitas são as seguintes:

  • Banda gástrica ajustável: é uma operação mais simples em que não é feita retirada ou corte de nenhuma parte do estômago ou intestino. A única alteração feita nesta técnica é a colocação de uma banda (faixa) de silicone na porção superior do estômago que funciona como se fosse um “cinturão” de forma que este órgão fica com a configuração de uma ampulheta: uma porção pequena acima da banda, uma bem estreita (a própria banda) e outra maior abaixo dela. Esta banda faz que o alimento após ser ingerido fique primeiro no compartimento pequeno (superior) distendendo-o e dando a sensação de saciedade ao paciente. À medida que o bolo alimentar passa pela banda (que é ajustável para aumentar ou diminuir a facilidade desta passagem) o alimento segue para a porção maior do estômago (a inferior) e depois passa pelo seu curso normal pelo intestino. Por ser uma técnica mais fácil de executar e mais simples por não precisar seccionar ou estômago ou mesmo fazer junção deste com o intestino além de não obrigar o paciente a tomar suplemento de vitaminas para o resto da vida (como em outras operações), ela ganhou popularidade entre cirurgiões e pacientes de modo muito rápido no início dos anos 2000. Contudo, atualmente ela vem sendo progressivamente abandonada devido aos problemas de médio e longo prazo que foram sendo observados com o passar do tempo:
    • reoperações frequentes: entre 20% e 45% dos pacientes acabam precisando de uma ou mais reoperações devido a complicações com a banda uma vez que como corpo estranho ela pode erodir e perfurar o estômago, obstruir a passagem do alimento ou se infeccionar;
    • perda de peso menor: observou-se que esta é a técnica bariátrica que provoca menos perda de peso;
    • reganho de peso maior: os estudos mostram que os pacientes que são operados por esta técnica são mais suscetíveis a reganhar peso, isto é, engordar bastante no longo prazo;

Em suma, suas vantagens são (a) simplicidade e rapidez de execução, (b) baixo risco da operação, (c) não necessitar suplementação vitamínica e de oligoelementos; e suas desvantagens são a (a) baixa eficácia, (b) maior reganho de peso, (c) grande taxa de reoperações (20% a 45%)

  • Gastroplastia Vertical com BandagemGastroplastia vertical com bandagem:  também conhecida como operação de Mason. É uma operação puramente restritiva, ou seja, não produz diminuição da absorção de nutrientes (o que é vantajoso por não gerar a  necessidade de reposição de vitaminas). É uma operação mais simples e com risco relativamente menor. Foi muito realizada nos anos 80 mas hoje em dia está praticamente abandonada devido aos seus problemas de longo prazo, a saber: grande reganho de peso, alta incidência da necessidade de reoperação para converter esta técnica em outra além de baixa eficiência quando comparada ao Bypass gástrico (a próxima técnica a ser comentada). Atualmente são raros os cirurgiões que ainda contam com esta técnica em seu arsenal terapêutico.

  • Gastroplastia com Y-de-RouxGastroplastia vertical com Y-de-Roux (ou cirurgia de Fobi-Capella ou bypass gástrico): esta é considerada na atualidade a operação gold-standard (padrão ouro), isto é, a técnica com a qual outras devem ser comparadas uma vez que esta já é realizada há bastante tempo (o que quer dizer que já se conhecem seus resultados no longo prazo), sabe-se de sua alta eficácia e tem um baixo risco. É desde os anos 90 a técnica que mais é realizada em todos os continentes. Nesta operação, o estômago é seccionado (e não retirado) deixando-se em continuidade com o esôfago uma porção pequena (chamada coto gástrico) e separada a outra porção, maior (90% ou mais do estômago original), chamada de estômago excluso por onde o alimento não mais passará. Como o alimento passará somente pelo coto gástrico, o paciente terá um reservatório gástrico diminuído e assim sentirá sensação de saciedade mesmo ingerindo uma quantidade menor de alimentos. Este é o motivo principal da perda de peso. Nesta técnica, deve-se ainda fazer uma mudança no intestino delgado (jejuno) para que o alimento ali chegue ao sair do coto gástrico.  Esta alteração no intestino é que é chamada de Y-de-Roux e dá nome à técnica. Há variantes desta operação, sendo as mais realizadas a de Capella na qual é colocado um anel (de silastic, uma espécie de silicone) e a de Clark-Wittgrove, na qual o estômago é deixado um pouco menor e não se coloca anel. As vantagens desta técnica são:
    • Operação passada pelo crivo do teste do tempo;
    • Maior eficácia: gera perda média de 30 a 50% do peso inicial e tem altas taxas de perda do excesso de peso de mais de 70%;
    • Menor taxa de reganho de peso;
    • As reoperações são raramente necessárias;
    • Muito eficaz em reverter doenças como diabetes (tipo II) e hipertensão arterial. O paciente se “cura” destes males;
    • suas desvantagens são:
    • Obriga o paciente a tomar diariamente uma suplementação de vitaminas e minerais de modo contínuo, ou seja, para o resto da vida. Em alguns casos, há necessidade da reposição também de cálcio e vitamina D e B12;
    • Pode causar a chamada Síndrome de Dumping, que é um mal-estar causado quando o paciente ingere algum alimento hiperosmolar (geralmente doces, sorvetes, etc). Seus sintomas incluem cólica abdominal, palidez, sudorese (grande perda de suor), vômitos e até sensação de desmaio. Não é grave mas é bem inconveniente;
    • É mais difícil de ser feita. É considerada por muitos como uma das cirurgia laparoscópicas que mais habilidade exige do cirurgião;


  • Duodenal SwitchDerivação biliopancreática (operação de Scopinaro e duodenal switch): este grupo de técnicas é chamado de cirurgias desabsortivas poque seu principal efeito para emagrecer é baseado na diminuição da absorção de gorduras (calorias). É de todas considerada a mais eficaz, com perda de peso maior e bem mantida. Contudo, devido à desabsorção intestinal que ela provoca, ela gera o risco de desnutrição e deficiência de micronutrientes maior inclusive que na técnica anterior (bypass gástrico). Operação de ScopinaroOs pacientes precisam ser seguidos bem de perto com vigilância maior para detectar possível falta de cálcio, vitaminas e oligoelementos (minerais que existem em concentrações muito pequena no sangue). Não é, por exemplo, muito adequada para pacientes que moram distantes de seu médico porque provavelmente serão menos bem acompanhados a longo prazo. Hoje, esta técnica é realizada principalmente por alguns poucos mas fiéis seguidores do método. Suas vantagens:
    • Maior perda de peso entre todas as técnicas e menor taxa de reganho ponderal;
    • Melhor resultado metabólico, isto é, tem melhor ação contra doenças como diabetes, aumento do colesterol e triglicerídeos e hipertensão;
    • Suas desvantagens são:
    • Também obriga o paciente a tomar vitaminas como no Bypass gástrico sendo que além disso há necessidade da suplementação adicional de Cálcio e vitamina D.
    • Maior risco entre todas de desnutrição protéico-calórica, de deficiência de vitaminas e de oligoelementos;
    • Operação mais difícil e complexa, mais demorada e com maior risco e taxa de complicações pós-operatórias;

Por este motivo, atualmente estas são mais bem indicadas para pacientes superobesos (os que têm IMC maior que 50).

  • Gastrectomia em MangaGastrectomia vertical (ou gastrectomia em manga ou gastric sleeve): esta operação meio que surgiu por acaso. Começou sendo usada como a primeira parte da operação de duodenal switch que em alguns pacientes exageradamente obesos era feita em 2 etapas com a intenção de minorar os riscos. Após alguns meses desta etapa inicial, quando o paciente perdesse parte do excesso e assim tivesse melhores condições operatórias, a segunda etapa (a que é alterado o fluxo do intestino) seria feita. Ocorre que os cirurgiões começaram a perceber que em muitos pacientes o resultado era bom apenas com a primeira etapa sendo a que a segunda em muitos casos era desnecessária. Assim, surgiu a Gastric sleeve ou gastrectomia vertical ou ainda gastrectomia em manga como é chamada no Brasil. Nesta operação, não é feita alterações no intestino mas somente no estômago que é operado de modo a retirar grande parte da sua “grande curvatura” que em outras palavras é o lado curvo do lado direito (de quem vê) do estômago. Suas vantagens são:
    • Por não precisar fazer anastomoses (junções) com o intestino, o risco de vazamento (fístulas) é menor, sendo que esta operação é por isso considerada como tendo menos riscos;
    • Também por não alterar a passagem do alimento pelo duodeno (primeira parte do intestino), não há a diminuição da absorção vista em outras técnicas e assim, não há necessidade de tomar vitaminas diariamente à excessão de vitamina B12 mensalmente em certos casos;
    • Nos casos em que o paciente não fique satisfeito com o resultado a longo prazo, esta operação pode ser convertida (transformada) em Bypass gástrico ou Duodenal switch;
    • Suas desvantagens são:
    • Ainda é uma técnica relativamente nova o que nos dá ainda poucos dados de seu resultado a longo prazo;
    • Sua perda ponderal é menor, quando comparada à do Bypass gástrico e das derivações biliopancreáticas;
    • É irreversível, pois uma porção do estômago é ressecada, sendo impossível restaurá-la ao contrário do Bypass gástrico;
    • Não tem o efeito anti-diabético tão bom quanto nas operações tipo Bypass gástrico e derivações biliopancreáticas

Operações como transposição ileal, Santoro e outras não são ainda consideradas técnicas aceitas pelo CFM e não devem ser feitas exceto se sob carater investigativo de estudo científico em que haja prévia aprovação por comitê de ética em pesquisa. Elas precisam de mais experimentação antes de serem aprovadas para uso em larga escala.

Outras ainda como “cirurgia de Lazarotto” e derivação jejunoileal infelizmente ainda são realizadas mesmo sem estudos clínicos adequados e não sendo autorizadas pelo Conselho Federal de Medicina. No caso da operação de derivação jejunoileal, o problema é ainda mais grave pois durante várias décadas (nos anos 60) esta técnica foi aplicada e vários foram os efeitos devastadores e complicações graves de curto, médio e longo prazo observados. Estas operações não devem ser feitas. Esta informação não precisaria ser dita se não fosse por alguns (poucos) cirurgiões brasileiros que as executam e compram horário na programação das TVs, incluindo em programas de horário nobre e elevada audiência para aparecer como sendo “novidades” e passando uma falsa idéia de que suas cirurgias são mais novas e portanto aperfeiçoamentos das atuais quando na verdade estão proibidas pelas inúmeras consequências nefastas já demonstradas.

e) Benefícios da cirurgia bariátrica

Em geral os benefícios da cirurgia de obesidade mórbida são em várias esferas:

  1. O caráter definitivo: os pacientes operados livram-se dos famosos efeitos-sanfona tão característicos dos tratamentos clínicos. A cirurgia dá resultado definitivo e o paciente somente terá reganho de peso nos casos mencionados na próxima questão;
  2. A vantagem estética: é inegável que o paciente vá se sentir mais bonito após emagrecer. É impressionante o ganho de amor próprio e auto-estima que o paciente tem após a operação. Pacientes que se sentem melhor com sua imagem se sentem melhor para encarar outros aspectos da vida;
  3. O ganho de qualidade de vida: após emagrecer, atos que são simples e mesmo automáticos para pessoas magras mas que são difíceis ou mesmo impossíveis para obesos mórbidos como cruzar as pernas, abaixar-se, apanhar um objeto no chão, fazer asseio, manter relação sexual, comprar roupas ou calçados, fazer uma atividade física, dirigir, sentar-se em cadeiras com braços (cinema, avião) voltam a estar novamente ao seu alcance. Todos os estudos científicos realizados a este respeito mostram que um dos maiores ganhos da operação é neste ponto: a qualidade de vida;
  4. A melhora psicológica: é inegável a melhora psicológica que os pacientes operados experimentam. Alguns dizem “nasci de novo” ou “é outra vida”. A maioria dos pacientes diz que se arrepende de não ter se operado antes. Há uma imensa melhora na auto-estima, no amor próprio, no “astral”. E também há em geral melhora dos quadros de depressão ou ansiedade que os pacientes poderiam estar sofrendo antes da operação. Há aqui uma constatação a considerar: parece claro que os pacientes que antes da operação estavam deprimidos por causa da obesidade terão uma enorme melhora e provavelmente resolução de sua depressão à medida em que emagrecem. Contudo, é claro que para alguns pacientes a obesidade não era a causa de sua depressão mas sim consequência, isto é, estavam com depressão por outro motivo e por usarem a comida como válvula de escape, ganharam muito peso. Nestes casos, costumamos dizer que não operamos o cérebro e sim o estômago. Aqui, o paciente emagrecerá mas continuará com seus motivos anteriores para estar deprimidos sendo que o emagrecimento apenas ajudará a minorar o problema. Ainda assim, há um ganho;
  5. A melhora da saúde: é inquestionável que o excesso de peso gera várias consequências danosas aos seus portadores. Quando os pacientes são operados de obesidade mórbida, várias destas doenças já estão presentes e outras mais estão na iminência de se apresentarem. Outras ainda, provavelmente se instalariam caso os pacientes tivessem permanecido obesos. Ocorre que quando o paciente é submetido a um procedimento bariátrico, estes agravos à saúde são na maioria revertidos como é o caso de doenças como hipertensão arterial, diabetes, elevações das taxas de colesterol e triglicerídeos, refluxo gastroesofágico, apneia do sono, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), infertilidade, etc. Há ainda outro grande contingente de patologias que não são totalmente sanadas mas que apresentam notável melhora com a perda de peso como é o caso de problemas e dores osteoarticulares e incontinência urinária. Mais: sabe-se até que doenças como câncer de pâncreas, mama, endométrio, cólon e rins, entre outros, são mais frequentes entre obesos mórbidos que entre magros. Então, é lógico concluir que o risco destas doenças é diminuído com a operação de obesidade mórbida. Outras doenças graves como infartos e AVCs (derrames) são diminuídos após o emagrecimento da operação pelo mesmo motivo. Um estudo muito grande feito com mais de 10.000 pacientes obesos e acompanhando-os por cerca de 10 anos publicado num respeitável jornal médico há pouco tempo mostrou que entre os obesos mórbidos que foram operados houve diminuição muito grande do número de casos de doenças cardíacas e de cânceres comparando-os com os obesos que não se operaram. Por último e não menos importante, sabe-se que a cirurgia bariátrica aumenta a expectativa de vida de pacientes operados, provavelmente pela diminuição do risco de doenças potencialmente fatais como mencionado anteriormente. Esta é a maior vantagem da operação: saúde.

f)  Operações laparoscópicas x operações convencionais

Já há alguns anos que várias operações que antes só podiam ser feitas pela via convencional, isto é, com uma incisão maior e instrumentos tradicionais, podem também ser realizadas através de incisões mínimas (0,5 a 1 cm) usando uma câmera e monitor de vídeo. São as chamadas cirurgias vídeo-laparoscópicas. Atenção: alguns leigos a chamam de “cirurgia a laser” mas é um erro, não há emprego de laser nestas operações. A verdade é que as cirurgias laparoscópicas são menos invasivas implicando em menos agressão ao organismo e portanto menos repercussão sistêmica para os pacientes. Na atualidade, inúmeros artigos científicos não deixam dúvidas de que a operação bariátrica laparoscópica é por este motivo melhor que a convencional. As vantagens da cirurgia por vídeo são:

  • Menos dor pós-operatória;
  • Recuperação mais rápida da operação;
  • Menos complicações advindas da incisão no abdome, como infecção da ferida operatória, seromas (acúmulo de serosidade abaixo da incisão na pele) e hérnias na incisão;
  • São mais estéticas;

A vantagem da cirurgia convencional é unicamente ser mais barata uma vez que seu material é de menor custo. Este fato faz com que alguns convênios queiram autorizar apenas as operações convencionais. Mas vale lembrar que a escolha da via de acesso é uma prerrogativa do paciente e de seu médico e não do plano de saúde.

O problema com a operação laparoscópica é que por ser de mais difícil realização, há um período inicial de ganho de experiência que chamamos de curva de aprendizado no qual um número maior de complicações pode acontecer. Depois desta fase, no entanto, as cirurgias por vídeo são realmente mais seguras.

Abaixo, o aspecto das incisões das operações feitas pelas diferentes vias de acesso:

Cirurgia Convencional x Cirurgia Laparoscópica
Aspecto das incisões da cirurgia convencional e cirurgia laparoscópica

h) Recomendações pré-operatórias

As recomendações que se seguem são as praticadas por nossa equipe. Não são obrigatoriamente as mesmas que outras equipes fazem. Assim, estas são dirigidas aos nossos pacientes. Para os pacientes de outras equipes, fica a sugestão de lê-las e esclarecer possíveis dúvidas com seu médico.

Recomendações Pré-operatórias para Cirurgia Bariátrica:

  • De agora em diante:
    • Emagreça o máximo possível
    • Se possível, faça atividade física (caminhadas por exemplo) diariamente até a véspera da operação
    • Não coma doces, açúcares, massas, carbohidratos, sorvete, bombom, chocolate, sobremesa, refrigerantes normais, mel, leite condensado, milk-shake até o dia da operação
    • Não coma frituras ou alimentos gordurosos ou oleosos, nem que seja azeite
    • Não pode mais beber bebida alcoólica a partir de agora
    • Faltando uma semana pra cirurgia, comece a fazer os exercícios com o Respiron conforme recomendações do fisioterapeuta (40 repetições, 4x / dia)
    • NÃO FAÇA DESPEDIDA DE COMIDA (alguns pacientes decidem ir a um rodízio e comer “tudo” que aguentarem como se fosse pra se despedir da comida antes da operação). Se fizer isso, é possível que gere esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), dificulte muito a operação e impeça a cirurgia de ser feita por vídeo
    • Nos 3 dias antes da operação, só se alimente com líquidos; e na véspera, coma no máximo até as 20:30h
  • Quanto à internação, você deve fazer assim:
    • No dia antes da operação, vá em uma farmácia e peça que lhe apliquem 01 injeção subcutânea (não é no músculo) de CLEXANE 40mg às 20h
    • No dia antes da operação, tome um comprimido de OMEPRAZOL 40mg às 20h
    • Não precisa se internar na véspera. Você deverá dormir em casa e vá se internar no dia da operação às 6h da manhã (se a operação for pela manhã) ou às 8h (se a operação for à tarde), em jejum, levando consigo todos os exames pré-operatórios, todos os pareceres pré-operatórios, a guia autorizada do convênio, o Respiron e a meia elástica de média compressão
    • Não será necessária lavagem intestinal

No dia da cirurgia:

  • Acorde-se cedo e tome um banho rigoroso, limpando com ênfase especial o umbigo, as axilas e a virilha. Na hora certa, a enfermagem o levará ao centro cirúrgico.
    • No centro cirúrgico, você terá uma veia puncionada para colocação de soro e o anestesista fará você dormir antes de iniciar a anestesia propriamente dita.
    • Quando a cirurgia terminar e o anestesista o acordar, você talvez esteja com um tubo na boca. É uma sensação um pouco incômoda e temporária, mas é importante pois o anestesista só poderá retirar este tubo quando tiver certeza que você já recobrou os sentidos e pode respirar normalmente.
    • Quando você se acordar, verá que está com uma sonda na urina. Ela não incomoda e permanecerá somente até a manhã seguinte e serve para evitar que você tenha que se levantar nas primeiras horas para urinar bem como para que possamos monitorizar a sua hidratação.
    • Após a cirurgia, você será levado para a Sala de Recuperação Anestésica e lá permanecerá por volta de duas ou três horas até que você esteja bem acordado da anestesia. Depois disso, será levado ao seu apartamento. Em raras ocasiões, pode ser necessário levar o paciente para passar o pós-operatório na UTI.
    • Ao chegar no apartamento, converse somente o essencial para evitar “gases”. É IMPORTANTÍSSIMO que você não fique “imóvel” na cama. Você pode (e deve) deitar de lado também, e procure mudar de posição a cada 30 a 60 minutos. Também a cada hora, faça exercícios de flexão nas pernas e nos tornozelos. Lembre-se também de fazer uma inspiração bem profunda a cada 20 minutos.
    • No final da tarde o fisioterapeuta geralmente irá visitá-lo e se você se estiver se sentindo bem, ele o colocará sentado. Caso queira sentar-se outras vezes depois, faça-o conforme a orientação do fisioterapeuta e peça ajuda a alguém.
    • Observe que as primeiras horas são as piores, pois você ainda estará um pouco “enjoado” por causa da anestesia e você poderá sentir náuseas ou um pouco de dor. Caso sinta algum destes sintomas, avise a enfermagem que serão providenciados os remédios necessários. No dia seguinte você estará se sentindo MUITO melhor!

No primeiro dia após a cirurgia:

  • Neste dia você amanhecerá BEM MELHOR. A dor será muito menor e você se sentirá mais disposto. Logo cedo, a sonda urinária será retirada e, após isso, você poderá tomar banho.
    • No banho, você deve evitar molhar diretamente a ferida (evite ficar embaixo do chuveiro).
    • É ALTAMENTE RECOMENDÁVEL que você passe a maior parte do tempo sentado ou caminhando. Procure ficar na cama somente quando estiver cansado ou quiser dormir.
    • Quando for caminhar pela primeira vez após a operação, primeiro fique em pé e espere ao lado da cama durante uns 5 minutos. Isto é importante porque nesta ocasião, às vezes, o paciente sente tontura e pode até cair se não tiver este cuidado.
    • Faça a fisioterapia com o RESPIRON de duas em duas horas, 20 repetições por vez. Isto é MUITO IMPORTANTE.
    • Você ficará em jejum e apenas tomará soro neste dia.

No segundo dia após a cirurgia:

  • Logo cedo, eu ordenarei a retirada do soro e você estará autorizado a tomar líquido (água, chá, água de coco, sucos).
    • Você deverá tomar os líquidos em copinhos de café descartável (50ml) sendo 01 copinho a cada 20-30 minutos. O ideal é que você tome pelo menos dez copinhos pela manhã e dez à tarde. Não force caso se sinta cheio ou tenha náuseas.
    • Continua sendo sumamente importante que você se sente e caminhe bastante. Esta é uma das melhores formas de previnir complicações como atelectasia pulmonar, pneumonia, trombose venosa profunda e embolia pulmonar.
    • Caso sinta-se bem ao final da tarde e tenha tomado pelo menos vinte copinhos, darei a sua alta hospitalar. Em alguns casos, a alta será somente na manhã seguinte.



i) Com quanto peso provavelmente vou ficar?

Esta resposta é impossível de responder com precisão. Mesmo pacientes com o mesmo peso e a mesma altura, sendo submetidos à mesma técnica cirúrgica têm perdas de peso diferentes. Isso ocorre porque a perda ponderal também depende do que o paciente faz (ou deixa de fazer) no período pós-operatório. Portanto, é melhor deixar claro os fatores que influenciam na perda de peso:

  • Idade: pacientes mais jovens perdem mais peso
  • Sexo: homens em geral perdem mais peso
  • Sedentarismo: pacientes que praticam atividade física no pós-operatório tem maior perda ponderal
  • Etilismo: usuários de álcool, especialmente os que consomem-no em maior quantidade podem perder muito pouco peso
  • Doces: pacientes que são viciados em doces (quaisquer doces, incluindo refrigerantes) e que não os evitam após a operação perderão menos peso, com certeza
  • Beliscar: pacientes que têm o hábito de beliscar, isto é, comer pouco mas inúmeras vezes ao longo do dia, também têm menor perda ponderal
  • Compulsão, ansiedade e depressão: pacientes que após a operação tenham algum destes distúrbios e não os trate adequadamente corre maior risco de “descontar” seus estresses na comida podendo por isso emagrecer menos.

O que podemos prever com mais chance de acerto é que na maioria dos pacientes a perda de peso é da ordem de 70 a 90% do excesso de peso que havia antes da operação. Assim, conclui-se que na maioria ainda restará um excesso de 10 a 30% sendo por isso que a maior parte dos pacientes operados ainda fica um pouco acima do peso.

Um exemplo: um paciente com 1,60m de altura e que pese 104Kg tem cerca de 40Kg de excesso de peso já que seu peso ideal deveria ser por volta de 64Kg (IMC=25). Portanto, se ele for operado é provavel que perca entre 28 e 36Kg (70 a 90% do excesso), ficando portanto entre 76 e 68Kg. É uma perda de peso muito boa mas note que ainda existe um pequeno excesso.

Geralmente apenas os pacientes mais jovens ou que praticam regularmente atividade física chegam a eliminar totalmente seu excesso de peso e atingem seu peso ideal. A maior parte dos cirurgiões considera então que uma operação bariátrica tenha sido bem sucedida quando o paciente tenha perdido mais que 70% de seu excesso de peso.

E vale lembrar: aqueles que após a operação mantêm os vícios em doce, álcool ou beliscam exageradamente provavelmente ou (a) vão perder bem menos peso ou (b) perderão bastante peso mas depois voltarão a engordar até um peso menor que o inicial mas consideravelmente maior que o desejável.

j) Quais os riscos da operação?

A cirurgia bariátrica tem riscos como qualquer outra. O importante é saber a magnitude do risco. Indo direto ao assunto, o risco de morrer em uma operação deste tipo é de cerca de 1 em 400, isto é, 0.25% de mortalidade. Isto quer dizer que, na média, de cada 400 operações realizadas um paciente morre. É uma mortalidade maior que o desejável mas bem menor que a maioria das pessoas imagina. Cirurgiões do mundo inteiro referem diferentes mortalidades mas esta é aproximadamente uma média.

O risco operatório é menor quando a equipe bariátrica tem maior experiência. Isto é provado por estudos científicos. Também o risco é minorado quando o paciente perde peso no pré-operatório, especialmente se ele tinha IMC maior que 50. É que estudos mostram que o risco destes pacientes é de cerca de 1 em cada 30 (3.33%). Portanto, superobesos mórbidos devem perder o máximo de peso que puderem de modo a diminuir seu risco.

Pacientes que fumam devem deixar de fazê-lo pelo menos um mês antes da operação para diminuir o risco de complicações como pneumonias e atelectasias pulmonares.

Algumas complicações que podem acontecer podem felizmente ser de menor gravidade como por exemplo: infecção da incisão, hérnia incisional, infecção urinária e outras. As complicações mais graves – e aí sim com maior risco – são fístulas (que é quando um ponto da suturas internas arrebenta e ocorre vazamento de secreção do intestino gerando infecção grave) e embolia pulmonar (quando um coágulo se forma geralmente nas veias da perna e se desprende sendo levado pela circulação até os pulmões onde bloqueia o fluxo impedindo assim a oxigenação adequada do sangue).

Nos casos em que ocorre uma fístula, normalmente o paciente precisa ser reoperado (geralmente até 7 dias depois da operação) de urgência para retirar a secreção vazada e pus e tentar fechar o local do vazamento. Normalmente nestas reoperações é necessário deixar um dreno e uma sonda para alimentação no abdome do paciente temporariamente enquanto o quadro é revertido.

Apesar dos riscos, a cirurgia bariátrica é atualmente recomendável pelas entidades médicas e governamentais porque a mortalidade dela é menor que o risco imposto pela obesidade mórbida. Considera-se que o risco de morrer só por estar obeso mórbido durante 5 anos é maior que o da operação para pacientes que tenham mais que 35 anos.

k) Após decidir me operar, o que devo fazer?

A decisão deve ser sem pressa e com apoio da família ou cônjuge. Uma vez esta decisão tenha sido amadurecida e tomada, o próximo passo é procurar o cirurgião e informá-lo disso. Ele então esclarecerá dúvidas ainda existentes e dará início ao preparo pré-operatório que em geral ocorre em 2 fases:

  • Exames pré-operatórios, que constam de:
    • Diversos exames de sangue e urina
    • Eletrocardiograma (e muitas vezes outras provas de função cardíaca como teste de esforço ou ecocardiograma)
    • Radiografia de tórax
    • Endoscopia digestiva
    • Ultrassonografia
    • Espirometria pulmonar (teste da capacidade pulmonar e respiratória)
  • Pareceres pré-operatórios, da equipe multidisciplinar que devem ser obtidos com:
    • Cardiologista: este irá avaliar o risco cardíaco do paciente, checar o adequado controle de problemas existentes como pressão alta e, se necessário, oferecerá sugestões de medidas preventivas de modo a minimizar complicações;
    • Pneumologista: ele verá como está a função pulmonar / respiratória do paciente para assim atestar as suas condições cirúrgicas adequadas;
    • Endocrinologista: ele verá se a obesidade do paciente não é causada por uma doença endócrina tratável clinicamente e atestará se concorda com a sua indicação da cirurgia;
    • Anestesiologista: fará uma avaliação pré-anestésica na qual procura identicar possíveis pontos que possam dificultar ou comprometer a segurança da anestesia. Só é recomendável ir buscar este parecer depois de ter conseguido o do cardiologista e pneumologista;
    • Nutricionista: ela irá atestar se concorda com a indicação cirúrgica e dar uma grande quantidade de informações nutricionais a cerca do pré e do pós-operatório. Estas dizem respeito à mudança do hábito alimentar, à dieta pré e pós-operatória e esclarecimento de dúvidas;
    • Psicóloga: ela irá avaliar o status psicológico do paciente uma vez que em alguns casos de problemas psicológicos ou psiquiátricos graves a cirurgia pode ser necessariamente postergada ou até mesmo evitada. O paciente não pode ser usuário de drogas ilícitas ou etlilista pesado. Em caso de haver algum problema maior nesta esfera, a psicóloga poderá solicitar um parecer psiquiátrico adicional;
    • Fisioterapeuta: esta consulta é mais informativa. É que um obeso mórbido ao ser operado (independente do tipo de cirurgia) tem riscos de complicações pulmonares e trombo-embólicas. Assim, é necessário que o paciente seja muito bem informado sobre como evitar estas complicações através da fisioterapia respiratória e motora, incluindo a que o paciente deverá iniciar ainda em casa, uma semana (ou mais) antes da operação;
    • Às vezes, de acordo com o caso, outros profissionais podem ser necessários: psiquiatra, ortopedista, educador físico, enfermeiros, fonoaudiólogos, etc.

Quando o paciente retornar ao consultório do cirurgião com todas estas informações, exames e pareceres, o pré-operatório estará então concluído e o próximo passo é a solicitação da autorização da guia ao convênio / plano de saúde.

l) Desvantagens da cirurgia bariátrica

As desvantagens são divididas entre as temporárias e as definitivas:

  • Temporárias:
    • A dieta líquida obrigatória dos primeiros 15 dias e depois a segunda quinzena com dieta pastosa;
    • Restrições às atividades exercidas como trabalho e esforços físicos, mais nos primeiros 15 dias. Nos casos de a operação ser convencional, o paciente pode ter que ficar até 6 meses sem poder fazer esforços físicos maiores. Nas cirurgias laparoscópicas, este período é de cerca de até 1 mês;
  • Definitivas:
    • Re-educação alimentar obrigatória. Os pacientes depois da operação devem comer devagar, mastigando bem antes de engolir, sem ingerir sucos simultaneamente (apenas 20 a 30 minutos depois) e colocando pouco alimento de cada vez na boca sob pena de sentir empachado ou mesmo ter náuseas ou vômitos. Em casos extremos, há pacientes que engolem alimentos sem mastigar e podem ficar com este obliterando a passagem do estômago para o intestino e vomitam várias vezes só melhorando após fazer endoscopia para retirar o bolo alimentar.
    • O paciente deverá tomar diariamente, dependendo se a técnica operatória tiver sido o Bypass gástrico ou uma derivação biliopancreática, um comprimido de vitaminas para o resto da vida. Alguns pacientes jocosamente não consideram esta uma desvantagem pois alegam que irão trocar um remédio para hipertensão e/ou para diabetes e/ou para colesterol elevado ou outros por uma vitamina e assim estariam no lucro.

m) O grupo de suporte.

É um grupo de apoio e suporte aos pacientes obesos mórbidos, tanto os que já se operaram como os que ainda nem se decidiram se querem ou não ser operados. Normalmente, o grupo se reune uma vez ao mês e estas reuniões são gratuitas e abertas ao público. As reuniões são importantes por gerarem nos seus participantes um maior grau de entendimento, comprometimento, motivação e também aproximação com a equipe multidisciplinar. É também um lugar para compartilhar experiências e busca conjunta de soluções.

Nossa equipe conta com um grupo deste tipo: o Grupo de Apoio ao Paciente Obeso Mórbido. Nossas reuniões são sempre na última terça-feira de cada mês, às 18:30h no auditório do Hospital São Marcos, abertas ao público e gratuitas.

Para maiores detalhes, leia no link “Grupo de Apoio“.

h) Não moro em Teresina, posso me operar com sua equipe?

Sim, é possível e tempo operado muitos pacientes de outras cidades e estados. As preocupações que existem nestes casos são:

  • A necessidade da confirmação da indicação cirúrgica

O paciente precisa entrar em contato para que possa passar informações detalhadas de seu caso, para que nossa equipe possa confirmar se ele se encontra dentro dos critérios clínicos aceitos para indicar o tratamento cirúrgico.

  • Uma conversa mais detalhada para a passagem de mais informações para o paciente sobre a operação

Esta precisa ser pessoalmente, uma consulta médica. Neste momento, a operação pode ser melhor explicada, dúvidas esclarecidas e mitos desfeitos.

  • A solicitação de exames pré-operatórios

O paciente poderá fazer seus exames pré-operatórios aqui mesmo em Teresina ou se precisar voltar a sua cidade natal, poderá levar as requisições. Normalmente não exigimos que os exames sejam feitos aqui.

  • A solicitação dos pareceres pré-operatórios

Este é o passo a seguir após a realização dos exames. Cabe aqui lembrar que o paciente que não possa ficar em Teresina para obter todos os pareceres pré-operatórios com nossa equipe poderá obter alguns destes com os médicos de sua própria cidade de origem. Os pareceres que podem ser obtidos com outros médicos que não da nossa equipe são o do cardiologista, pneumologista, endocrinologista. Contudo, alguns pareceres pré-0peratórios, por serem muito específicos para pacientes bariátricos, precisam ser obtidos com profissionais que atuem em equipes multidisciplinares desta área. Por exemplo, o parecer nutricional não deve ser obtido com uma nutricionista qualquer, mesmo que seja uma ótima nutricionista experiente em outra área de atuação. É por este motivo que exigimos que o parecer pré-operatório com a psicóloga, o fisioterapeuta, a nutricionista sejam com os profissionais de nossa equipe.

  • A solicitação da guia ao convênio

Com exames e pareceres em mãos, solicitamos a guia ao convênio do paciente. Os trâmites variam conforme cada convênio, sendo que alguns autorizam de imediato enquanto outros demoram até 3 semanas para tanto.

  • A recuperação pós-operatória inicial antes de o paciente poder viajar de volta

Normalmente, o período em que o paciente fica internado no hospital é de 3 dias. Após a alta hospitalar, nós costumamos ver o paciente no 10º e 30º dia após a operação. O ideal seria se o paciente pudesse ficar este período todo em nossa cidade para ser acompanhado conosco. Infelizmente, para quase todos isso é impraticável. Por este motivo, geralmente pedimos ao paciente que fique até o 10º dia após a operação e depois o liberamos para viajar. Nestes casos, combinamos com o paciente uma agenda possível para que ele possa retornar posteriormente para o controle pós-operatório de longo prazo.

  • O controle pós-operatório regular e de longo prazo

De acordo com a facilidade e proximidade da cidade do paciente procuramos um agenda que torne possível o seu retorno aqui para que possamos fazer o controle de longo prazo. Outra opção que também pode ser utilizada é o paciente fazer seu controle pós-operatório com algum médico em sua própria cidade não necessitando ele ser especialista em cirurgia bariátrica. Neste caso, colocamo-nos à disposição dele para passarmos explicações, informações pertinentes e para esclarecimento de dúvidas. O ideal é que este seja um endocrinologista ou cirurgião do aparelho digestório. Agora, importante, é que mesmo nestes casos, o paciente depois possa voltar pelo menos uma vez anualmente para controle pós-operatório com nossa equipe.

Outra informação frequentemente solicitada pelos pacientes de outras cidades é quanto tempo leva em média todo este processo. É claro que a resposta varia em função de algumas variáveis mas geralmente o paciente gasta em torno de 7 a 10 dias da primeira consulta até a cirurgia, mais 3 dias no hospital e depois uma semana até ser liberado para poder viajar. Ao todo, uma média em torno de 20 dias aqui em Teresina.

Recomendamos aos pacientes de outras cidades que desejem vir se operar aqui conosco que primeiro entrem em contato telefônico ou por e-mail (clique no link “Contato“) para podermos ver o que pode ser adiantado, verificar a disponibilidade de datas e deixar uma reservada.

Para deixar uma pergunta que gostaria de ver respondida nesta sessão de pré-operatório, favor preencha abaixo: