Nutrição

O SUCESSO DEPENDE DO PACIENTE!

Por Dra. Raquel Barbosa de Freitas
Nutricionista da equipe bariátrica

e Dr. Gustavo Santos
Cirurgião Bariátrico

 

Recomendações Pré-Operatórias

É de suma importância que o paciente tente perder peso, o máximo possível, antes da operação. Os motivos são que perdendo peso:

a) O risco cirúrgico é menor, especialmente para os pacientes que têm IMC acima de 50Kg/m². Há vários estudos científicos que confirmam isso;
b) Quando se perde peso, o organismo queima a gordura acumulada no fígado e isto facilita muito a operação uma vez que este órgão tem seu lado esquerdo repousando sobre o estômago. Nos casos em que o paciente tem “esteatose hepática” na ultrassonografia pré-operatória, esta recomendação é especialmente importante. O fato de a operação ser facilitada é bom não só pelo trabalho menor para o cirurgião mas também porque a operação será mais rápida (o que implica menor tempo cirúrgico e anestésico);
c) Há melhora da função respiratória e cardíaca do paciente;

Dito isso, precisa ser deixado claro que embora esta perda de peso não seja fácil, com empenho e força de vontade, mesmo em um espaço de tempo curto como 2 semanas bons resultados podem ser conseguidos. É interessante observar que os pacientes que perdem mais peso no pré-operatório geralmente são os que têm melhores resultados no pós-operatório tardio provavelmente porque a perda de peso conseguida é reflexo de um paciente mais motivado e disposto a seguir recomendações e isso faz toda a direferença a longo prazo.

Antes da operação, o paciente também precisa ter consciência de que os alimentos hipercalóricos não são mais bem vindos até o dia da cirurgia. É óbvio que alimentos como sorvete, milk shakes e frituras estão proibidos nesta etapa e o paciente que realmente quer perder peso antes deve seguir as recomendações dietéticas dadas pela nutricionista no dia da sua avaliação pré-operatória.

Outro erro GRAVE e frequente que não deve ser cometido é a tal da “despedida de comida“. É assim que chamam o dia em que o paciente decide ir por conta própria a algum restaurante (às vezes um do tipo rodízio ou buffet) e comer “tudo que tem direito”. É como se estivesse dando adeus aos bons pratos. Esta é uma atitude que deve ser combatida porque gera problemas: a grande quantidade de calorias ingerida de uma vez só causa grande acúmulo de gordura no fígado (glicogênio) e aumenta a dificuldade da operação. Em alguns casos menos frequentes, um fígado muito grande por causa do acúmulo de gordura (esteatose hepática) impede a realização da operação desejada e pode fazer o cirurgião tomar uma decisão diferente do previamente combinado com o paciente. Assim, o paciente não deve fazer despedida de comida no pré-operatório.

A seguir, um exemplo de dieta hipocalórica a ser seguida antes da operação:

DIETA HIPOCALÓRICA (Pré-operatória)

Dieta com alimentos de consistência geral, mas preferindo alimentos hipocalóricos.
Recomendações Gerais:

    • Observar as quantidades prescritas na dieta, já que o valor calórico depende do peso atual do paciente
    • Substituir todo açúcar por adoçantes
    • É permitido no preparo da dieta sal com moderação e os mesmos temperos da dieta líquida
    • Consuma à vontade: chás, limonada e gelatina
    • Evite doces, mel, massas, balas, bebidas alcoólicas e alimentos gordurosos
    • Consumir com moderação: pão, torradas e, se preferir, troque pela versão integral
    • Aproveite essa fase para educar sua mastigação! (Você vai precisar desta conduta para  pós cirúrgico)
      • COMA MAIS DEVAGAR
      • MASTIGUE EM MÉDIA 30 VEZES A CADA BOCADA
      • Evite líquidos às refeições.

Faltando 3 dias para a operação, o paciente deverá seguir uma dieta contendo apenas líquidos não calóricos, como no exemplo abaixo:

DIETA LÍQUIDA ANTES DA CIRURGIA (Nos últimos 3 dias antes da operação)

Recomendações Gerais
Todo alimento deve ser liquidificado, consumido a cada intervalo de 03 horas, perfazendo 06 refeições por dia.
Alimentos Permitidos:

    • Leite desnatado;
    • Iogurte light ou diet;
    • Nescau light;
    • Vitaminas ou suco de fruta variadas com adoçante;
    • Sopas, canjas, caldo de feijão ou de carne (amassadas ou liquidificadas);
    • Gelatina

Use temperos habituais: tomate, cebola, cebolinha, cheiro verde, alho, cominho. Evite os industrializados. Sal com moderação. Evite:

    • Sopas prontas e sucos industrializados;
    • Líquidos calóricos (milk-shakes, leite condensado, creme de leite, sorvete, chocolate, etc.).


Recomendações Pós-Operatórias

ENFIM, CHEGOU O GRANDE MOMENTO!!

Se você não dá importância a comer de forma saudável, fazer exercícios físicos, ter um tempo só para relaxar e que, mesmo sem fazer tudo isso, vai emagrecer em consequência da cirurgia, então está na hora de mudar seus conceitos. Se quiser ter maior proveito se sua operação, viver muitos anos e principalmente sentir-se bem e com vigor é fundamental cultivar hábitos saudáveis. E a fórmula é simples. Dá para seguir essas recomendações sem dificuldade, principalmente após a grande motivação dada pela cirurgia. Boa Sorte!

Cada equipe de cirurgia bariátrica tem recomendações que diferem um pouco entre si mas nossa rotina geralmente deixa o paciente sem se alimentar no dia da operação e seguinte. Nestes dois dias, apesar de ficar em jejum, o paciente sente-se bem e disposto e se manterá bem hidratado porque ainda estará tomando soro. Geralmente no 2º dia depois da operação o soro é retirado e o paciente poderá iniciar a tomar líquidos.

Normalmente, o cirurgião permitirá o início dos líquidos se o paciente não estiver nauseado ou vomitando, se estiver eliminando flatos ou ainda se já tiver de volta os seus movimentos do intestino (verificado com o estetoscópio no abdome). Caso julgue adequado, o cirurgião suspenderá a hidratação na veia e avisará ao serviço de nutrição do hospital que envie líquidos claros para o paciente. Normalmente, os líquidos permitidos são água, alguns sucos de frutas, chás e água de coco. Se for sopa, esta será liquidificada e peneirada.

Alguns cuidados devem ser observados quando o paciente for iniciar sua dieta líquida no hospital:

a) Tomar 01 copinho de cafezinho (50 ml) a cada 20 ou 30 minutos;
b) Tomar de pequenos goles, não o copinho de uma só vez;
c) Não forçar. Caso se sinta “cheio”, é preferível pular o horário de um copinho a  tomar forçando;
d) Se estiver se sentindo “cheio”, comunique à enfermagem e caminhe bastante para estimular o intestino a funcionar e assim aliminar gases;
e) Em geral, nós pedimos ao paciente que procure tomar pelo menos 10 copinhos pela manhã e 10 copinhos à tarde. Geralmente, se conseguirem o cirurgião poderá dar a tão desejada alta hospitalar.

DEPOIS DA ALTA HOSPITALAR

Após a alta, na primeira quinzena o paciente deverá seguir uma dieta líquida hipocalórica  com volume restrito (dependendo da técnica cirurgica realizada). Nesta fase é essencial acrescentar complementos alimentares para repor as perdas protéicas. O objetivo é dar repouso ao estomago para permitir sua melhor cicatrização. Embora pareça péssimo, na verdade não é tão ruim quanto parece porque o paciente nesta época (e nos próximos 6 meses) não costuma sentir fome. Então acaba sendo mais fácil de suportar. Mas não deixa de ser um sacrifício que o paciente deverá suportar.

Depois da primeira quinzena de líquidos, segue-se a quinzena de transição (pastosos) mantendo o fracionamento e 05 a 06 refeições por dia. Nesta fase, alguns alimentos mais consistentes podem ser ingeridos facilitando a aceitação. Os alimentos permitidos são: papas, frutas amassadas ou raspadas, sopas sem liquidificar, caldos de carnes, feijão, purê de verduras e manter o complemento alimentar.

Somente após os primeiros 30 dias é que o paciente então será orientado pela nutricionista a seguir dieta branda, adotando uma dieta mais variada com incentivo ao consumo de frutas, saladas cozidas, cereais integrais, evitando frituras, gorduras e açúcares simples. Nesta fase é extremamente importante iniciar uma atividade física. Também, o paciente deverá se acostumar e se reeducar para comer devagar e mastigar bastante.

Nos próximos meses, a dieta pode ser considerada uma dieta geral porém tendo sempre preferência por alimentos menos calóricos e mais nutritivos. O paciente estará apto para receber qualquer alimento e é aí onde mora o perigo, pois se não estiver corretamente reeducado em relação alimentação poderá voltar aos antigos hábitos e o resultado final pode não ser tão satisfatório.

Tenha paciência, faça sua parte e aguarde os resultados. Não esqueça que os bons hábitos deverão ser para o resto da vida.

Mesmo quando estiver na fase de comer alimentos normais, alguns conselhos sempre deverão ser seguidos:

a) Comer a cada 3 horas, intercalando uma refeição e um lanche (leve);
b) Comer 05 vezes ao dia (sendo desjejum, lanche, almoço, lanche e jantar);
c) Mastigar muito bem os alimentos antes de degluti-los. A falha em seguir esta recomendação é uma das causas de vômitos mais frequentes no pós-operatório. A re-educação alimentar exige do paciente que ele coma devagar, mastigue bem e ponha porções (“garfadas”) pequenas de cada vez na boca. Uma dica que costumamos dar para nossos pacientes se adaptarem na etapa inicial é usar talheres pequenos, de criança, pois é uma maneira de evitar que o paciente coma rápido e encha a boca de uma vez;
d) Evitar líquidos às refeições. Em geral, deve-se esperar 20 a 30 minutos antes de beber água ou outro líquido após uma refeição. Falha em seguir este conselho pode fazer o paciente vomitar;
e) Proibido tomar refrigerantes por 03 meses e bebidas alcoólicas por 6 meses após a operação;
f) Tomar suplemento vitamínico diariamente, dependendo da técnica cirúrgica (nos casos de o paciente ter sido operado pela técnica de Bypass gástrico, Scopinaro, ou duodenal switch). Não existe um horário correto para tomar a vitamina, mas de preferência o paciente deve toma-la sempre no mesmo horário, pois assim ele criará um hábito e dificilmente esquecerá. No caso de esquecer de tomar um dia, o paciente deverá tomar 2 comprimidos no dia seguinte para compensar;
g) Comer devagar. Se esquecer disso, acabará ficando empachado ou mesmo vomitando;
h) Parar de comer quando começar a se sentir cheio. O que faz alguns pacientes se sentirem mal ou vomitar às vezes é a pressa na hora de comer. As cirurgias bariátricas não são compatíveis com comer rápido. Lembrar sempre disso;
h) Evitar açúcar. Tenha preferência por adoçantes. Além de ter mais calorias, alimentos com carbohidratos podem gerar a síndrome de Dumping (veja mais sobre este assunto na seção “Depois”);

O acompanhamento com a nutricionista no pós-operatório é importantíssimo e deverá seguir o cronograma abaixo:

a) Após 15 dias de operado;
b) Quando completar 1 mês da operação;
c) Quando completar 2 meses da operação;
d) Quando  completar 3 meses da operação;
e) Dependendo da evolução do paciente, de 3 em 3 meses até completar 1 ano;
f) Anualmente depois;

As consultas com a nutricionista são importantes para obter informações importantes relacionadas a alimentação correta, dicas e trocas alimentares indicadas a cada paciente, identificação e resolução de problemas alimentares como vômitos ou mal aceitação de alimentos, etc. Além de tudo isso, ainda há outra vantagem: manter-se sempre bem motivado para seguir as recomendações pós-operatórias e ter assim mais sucesso no resultado de sua operação.

 


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