Abaixo, a resenha de um artigo publicado na prestigiosa New England Journal of Medicine:

Estudos observacionais mostraram melhora em pacientes com diabetes tipo 2 após cirurgia bariátrica. Pesquisadores publicaram, recentemente, no New England Journal of Medicine, um ensaio clínico randomizado, não cego, unicêntrico, em que avaliaram a eficácia do tratamento clínico intensivo isoladamente versus desvio gástrico em Y de Roux  ou gastrectomia vertical em 150 pacientes obesos com diabetes tipo 2 descompensado.

A média de idade dos pacientes foi de 49 + 8 anos, sendo 66% do sexo feminino. A média do nível de hemoglobina glicada foi de 9,2 + 1,5%. O desfecho primário do estudo foi a proporção de pacientes com nível de hemoglobina glicada igual ou inferior a 6,0% doze meses após o tratamento.

Dos 150 pacientes, 93% completou doze meses de acompanhamento. A proporção de pacientes que atingiu o desfecho primário foi de 12% (5/41 pacientes) no grupo de tratamento clínico versus 42% (21/50 pacientes) no grupo de desvio gástrico (P = 0,002) e de 37% (18/49 pacientes) no grupo de pacientes submetidos à gastrectomia vertical (P = 0,008). O controle glicêmico melhorou em todos os grupos, com média dos valores de hemoglobina glicada de 7,5 + 1,8% no grupo de tratamento clínico, de 6,4 + 0,9% no grupo submetido ao desvio gástrico (P < 0,001) e de 6,6 + 1,0% no grupo submetido à gastrectomia vertical (P = 0,003). A perda ponderal foi maior no grupo submetido ao desvio gástrico e no grupo submetido à gastrectomia vertical (-29,4 + 9,0 kg e -25,1 + 8,5 kg, respectivamente) que no grupo tratado clinicamente (-5,4 + 8,0 kg) (P < 0,001 para ambas as comparações). A utilização de medicamentos para diminuir os níveis de glicose, de lípides e a pressão arterial diminuíram significativamente após ambos os procedimentos cirúrgicos, porém aumentou em pacientes submetidos apenas ao tratamento clínico. O índice para a avaliação do modelo de homeostase de resistência insulínica (HOMA-IR) melhorou significativamente após a realização da cirurgia bariátrica. Quatro pacientes foram submetidos à reoperação. Não houve óbitos ou complicações potencialmente fatais.

Os pesquisadores concluíram que, em pacientes obesos com diabetes tipo 2 descompensado, doze meses de tratamento clínico associado à cirurgia bariátrica proporcionou controle glicêmico em número significativamente maior de pacientes que em pacientes submetidos apenas ao tratamento clínico. Estudos adicionais são necessários para avaliar a durabilidade destes resultados.

(resenha de Bariatric Surgery versus Intensive Medical Therapy in Obese Patients with Diabetes – New England Journal of Medicine; 2012;366:1567-1576)


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